VEREDA LITERÁRIA

Nome:
Local: Barra Mansa, Rio de Janeiro, Brazil

Acadêmicos do 8° período de Letras - habilitação LITERATURA-do Centro Universitário de Barra Mansa. É nosso desejo que aqui encontrem muitos motivos para conhecer e admirar cada vez mais nossa língua materna !

Sábado, Outubro 09, 2004

MAIAKÓVSKI ? EIS A QUESTÃO !

A quem diga que os versos a seguir são do poeta russo MAIAKÓVSKI... Será mesmo ?

Leiam a postagem de hoje para desvendar o mistério que ronda há tempos pela internet !

Não há quem não conheça os 15 versos mais do que famosos:

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”

Quem seria seu verdadeiro autor ? Maiakóvski ?

Eles fazem parte, desde 1968, quando foram escritos, de um longo poema do brasileiro Eduardo Alves da Costa, que nasceu em Niterói e vive desde a infância em São Paulo. Por algum motivo, foram logo atribuídos pelo escritor Roberto Freire, na epígrafe de um de seus livros, ao poeta russo Wladimir Maiakovski. O equívoco foi corrigido, mas a falsa autoria pegou: os versos foram transformados em pôster pelos líderes estudantis que combateram a ditadura militar, nos anos 70; transformados em inscrição da camiseta amarela da campanha pelas Diretas Já, nos anos 80: e, traduzidos para vários idiomas, transformados em corrente na Internet, nos anos 90. Aí, o autor já não era nem Eduardo nem Maiakóvski, mas Gabriel García Márquez, Bertolt Brecht, Wilhelm Reich e Leopold Senghor, entre outros.
Eduardo, poeta e artista plástico que já expôs na França na Alemanha, viu o poema impresso – e atribuído a Maiakóvski – na parede de uma galeria de arte em Paris e num café em Praga, na Tchecoslováquia. Recentemente, foi motivo de mais uma polêmica quando o autor de telenovelas Manoel Carlos colocou um de seus personagens declamando os conhecidos versos na novela “Mulheres Apaixonadas”, para 70 milhões de telespectadores. Uma crítica de TV deu nota zero para Manoel Carlos por ter dado a autoria correta: para a distraída jornalista, o autor ainda era... Maiakóvski.
O equívoco realimentou a polêmica: Manoel Carlos criou um diálogo, no capítulo seguinte, esclarecendo o erro – não dele, mas da jornalista – e contando a verdadeira história do poema. Milhares de telespectadores congestionaram os telefones da emissora perguntando onde encontrar o livro que contém o poema. Estava esgotado, mas Eduardo não teve dúvidas: procurou editoras interessadas em relançar sua obra, fora das livrarias há mais de 15 anos, e apenas uma – a Geração Editorial – aceitou o desafio de reeditá-la em duas semanas, a tempo de fazer o lançamento ainda dentro da novela – que terminaria no dia 10 de outubro.
É este livro, “No Caminho com Maiakóvski”, com todos os poemas de Eduardo Alves da Costa – a obra publicada até 1986 e os poemas inéditos – que chega agora às livrarias, com tiragem de 5.000 exemplares (significativa para livros de poesia) e todo o apoio do teledramaturgo Manoel Carlos e parte do elenco da novela, que se dispuseram a homenagear o autor na noite de autógrafos, dia 12 de outubro (um domingo) na Livraria Argumento, no Rio. Uma grande alegria para Eduardo, que, depois de quase 40 anos, vê seu poema mais famoso ser conhecido, de repente, por 70 milhões de pessoas.
A Geração Editorial – uma das editoras mais agressivas do mercado – pretende transformar a obra de Eduardo em um fenômeno de vendas.
– Todo mundo sabe que poesia vende pouco em nosso país – diz o editor Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial. – Isso é muito estranho, pois as editoras recebem livros de poemas todos os dias. Calculo que se todos os homens e mulheres que escrevem poemas em nosso país lessem os livros uns dos outros, só haveria livros de poesia nas listas de bestsellers... Mas o que pretendemos provar é que, quando um veículo de divulgação de massa, como a televisão, no meio de uma novela, divulga um livro, ele pode potencialmente se transformar em bestseller, porque as pessoas são praticamente induzidas a conhecê-lo.
Emediato admira o fato de Manoel Carlos ser um dos raros autores de roteiros para televisão que sempre fala de livros e autores em suas tramas. Os personagens são mostrados lendo e eventualmente discutindo o conteúdo do que lêem. O editor da Geração, quando foi procurado por Eduardo Alves, não teve dúvidas: disse francamente que não ia publicar o livro dele apenas como mais um livro de poesia, mas como “o livro do poeta da novela Mulheres Apaixonadas”. E assim está sendo feito: um pôster-banner reproduzindo o famoso texto do poema atribuído a Maiakóvski estará nas vitrines de todas as boas livrarias. Eduardo Alves da Costa está vibrando com o grande relançamento.
Nada mal para quem já se divertia com a sina de ter escrito um dos poemas mais populares da literatura brasileira e não ser reconhecido plenamente como autor dos famosos versos – ainda que pessoas como Henfil, Mino Carta, José Nêumanne e Manoel Carlos, entre outros, tenham escrito sobre a estranha maldição, que o perseguiu até o momento final, quando a editora encaminhou o original editado para a gráfica.
- É incrível – espanta-se o editor Emediato. – A catalogadora da Câmara Brasileira do Livro, uma bibliotecária, embora tenha recebido solicitação correta, classificou o livro, na ficha catalográfica, que acompanha o livro, como “literatura russa”, uma antologia de poemas de Wladimir Maiakóvski, “organizada” pelo brasileiro Eduardo Alves da Costa. Se o revisor não vê, íamos publicar o livro com este erro! Parece mesmo uma espécie de maldição.
Eduardo Alves da Costa, 67 anos, um homem totalmente discreto, que jamais fez alarde com o equívoco, até mesmo quando assumiu dimensão internacional, nem ao menos é autor de uma obra única: publicou vários livros de poesia e contos e é dono de um fazer poético vigoroso, impactante, de cunho social, que mistura erudição, criatividade no trato da língua e comunicação imediata com o leitor. O drama humano é o que o interessa. Mesmo quando faz poemas autobiográficos, seus versos criticam todo um pensar consolidado/tipificado pela sociedade, que ele ataca com armas diversas, da amargura à revolta, da ironia ao humor.
Para Eduardo, não há concessões: a poesia, além de arma reflexiva, é um território e tanto para a crítica social. Crítica que ele faz de forma às vezes inusitada: seus versos podem criticar até mesmo a ganância dos banqueiros, o que ele fazia, nos anos 60, de forma tão criativa que, 40 anos depois, nem parece datada: as palavras ainda se encaixavam como uma luva na condenação ao sistema financeiro internacional, que sufoca as economias emergentes e impede países potencialmente ricos de crescer.
Quem ninguém busque em Eduardo Alves da Costa, no entanto, um poeta panfletário e pobre, daqueles que rimam ladrão com exploração: como uma espécie de Castro Alves do mundo globalizado, ele não tem vergonha de produzir versos que podem ser declamados – mas eles são modernos tão bem elaborados como os de qualquer bom poeta contemporâneo. A diferença, como já anotaram alguns críticos, é que eles pretender ser, e quase sempre são, quase épicos, na sua imponente entonação.

Fim do mistério !


Para vocês o poema completo de Eduardo Alves da Costa:


Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!


Sábado, Setembro 25, 2004

NA ILHA POR VEZES HABITADA

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável :
o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raíz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago / Prêmio Nobel da Literatura 1999

POESIAS...

A CIDADE GIGANTE

“ E é tudo o que eu não sei contar
não se pode ao menos entender
são coisas que nem o coração sabe explicar
falta uma razão, é preciso um motivo pra viver...”

Quem sou eu ?
Quem é você ?
Quem somos nós ?
O que somos nesta cidade gigante ?
A cidade gigante,
de homens corrompidos,
solitários,
indigentes – somos apenas números.
Não há porquê deixar uma semente.
A cidade cresce a cada dia mais
Enquanto isso, o único caminho de volta
fica para trás...
para trás...
As casas são como seus habitantes:
Frias, duras e vazias.
Não há crianças, não há sonhos,
e o que se ouve ao longe é o som de uma antiga canção
trazida pelo vento, pelo pó de um tempo inexistente.
O que resta é o vagar solitário dos pequenos habitantes,
afinal, só a cidade é gigante.
Cada um esconde suas vontades e suas fraquezas
nas armaduras necessárias à sobrevivência.
Os sorrisos e as lágrimas foram contabilizados,
trancados no ponto mais alto que arde e queima incessantemente.
E destrói assim o que resta de humano...
Afinal, esta é a cidade gigante... nada mais...
Que engole a mim, a você, os sonhos... A nossa paz !
Por vezes me pergunto:
Até quando esta cidade irá agüentar ?
E quando o terrível gigante começar a ruir ?
O que será quando caírem as últimas luzes das lágrimas de cada olhar...
Diga para onde fugir... Onde tudo irá parar ?
Um dia a cidade gigante será extinta...
Mas só a cidade. Afinal. Ela é que é gigante.
E o último de nós poderá ver,
que mesmo em meio aos escombros,
Um lírio teimou em florescer...

(Francis Paula)

TU, VOCÊ E EU...

Tu me amas ?
Por que simplesmente você não me ama ?
E por que não acaba com essa distância
que há entre Tu e eu ? Eu e você ? Mim e ti ?
E transformamos nossas almas em apenas “nós”...
Não quero saber onde tu estás ,
mas sim onde você se escondeu. E encontrar de vez seu coração.
Quero conjugar os verbos em apenas duas pessoas: Eu e você.
Melhor que isso:
Quero que “Eu e você” virem “Nós”...
E que todos os outros tempos diante de nós
compreendam que as “pessoas” da pessoa
tornam-se um único Ser
por culpa do chamado: AMOR.

(Francis Paula)

O que é poesia ? Uma ilha cercada de palavras por todos os lados (Cassiano Ricardo)

O QUE É POESIA ?
Poesia é uma arte literária e, como arte, recria a realidade. O poeta Ferreira Gullar diz que o artista cria um outro mundo “mais bonito ou mais intenso ou mais significativo ou mais ordenado – por cima da realidade imediata”.
Para outros, a arte literária nem sempre recria. É o caso de Aristóteles, filósofo grego que afirmava que “a arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita pela palavra”.
Declamando ou escrevendo, fazer poesia é expressar-se de forma a combinar palavras, mexer com o seu significado, utilizar a estrutura da mensagem. Isto é a função poética.
A poesia sempre se encontra dentro de um contexto cultural e histórico. Os vários estilos poéticos, as fases de cada autor, os acontecimentos da época e tantas outras interferências muitas vezes se misturam à obra e lhe dão novos significados.
CARACTERÍSTICAS DO ESTILO POÉTICO

Antigamente, as poesias eram cantadas, acompanhadas pela lira, um instrumento musical muito comum na Grécia antiga. Por isto, diz-se que a poesia pertence ao gênero lírico.
Geralmente a expressão “poesia” se aplica à estrutura de texto em versos. Os versos são as “linhas” do poema. Um conjunto de versos forma uma estrofe.
Algumas características básicas da poesia são o ritmo, a divisão em estrofes, a rima. Um poema também possui métrica, que é a contagem das sílabas poéticas dos versos. Nem todos estes quesitos estão sempre presentes. Os poetas modernistas, por exemplo, adotaram o verso livre, despreocupado com a rima e a métrica.

Terça-feira, Agosto 03, 2004

VEREDA LITERÁRIA: O RETORNO !

Olá amigos !

É com muita alegria que nosso "Vereda Literária" retorna das férias e como primeira contribuição para o mês de agosto, uma resenha sobre a monografia de nossa amiga Cláudia Regina Nascimento Carvalho Santos, ou simplesmente para os amigos, Cláudia.

ORGANIZAÇÃO DO LIVRO DIDÁTICO

Partindo do pressuposto que a utilização do livro didático em sala de aula torna-se um uso para o profesor como mimese e não visando a sua otimização, acredito que muitas atividades sugeridas podem e devem ser complementadas pelo professor.

Dessa forma, as atividades propostas devem desenvolver a capacidade que o aluno tem para se envolver nas práticas sociais de leitura e escrita.

Contudo, o professor deve fazer sua escolha refletindo sobre as abordagens dos autores de forma que leve o aluno a ler e escrever, através de materiais diversos para extrair, compreender e interpretar as informações oferecidas, já que fazem parte de uma sociedade que cria e explora uma diversidade de símbolos e práticas.

Sendo assim, faz necessário desenvolver a competência do aluno para atuar em práticas sociais de leitura e escrita, que não é somente um produto escolar, mas faz parte de um objeto cultural que tem suas funções sociais.

O aluno não deve aprender somente o código escrito, já que na fala chega a escola com conhecimentos advindos de sua interação na sociedade letrada. A diversidade textual que existe fora da escola deve contribuir para a expansão do conhecimento letrado do aluno.

" Decifrar o escrito não é só condição para a leitura, é um saber de grande valor social." PCN (p. 34)

O Vereda Literária informa também, que a professora Luiza, atualmente em Tocantis, enviou com muito carinho um poemeto de sua autoria.

Segue para apreciação de todos !

uma coisa
gostosa
da vida
é a memória
de teu beijo

a
coi
sa
ma
is
go
st
o
s
a
é
t
e
u
beijo
beijo
o
o
o
o
o
.
.
Luiza

Por hoje é só !

Um abraço e até a próxima



Segunda-feira, Julho 12, 2004

12 DE JULHO DE 2004: "CENTENÁRIO DE PABLO NERUDA"

Pablo Neruda, pseudônimo de Neftalí Ricardo Reyes Basoalto, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile.
Morreu a 23 de setembro de 1973 em Santiago do Chile, oito dias após a queda do Governo da Unidade Popular e da morte de Salvador Allende.

Segue nossa homenagem !

A PALAVRA

Pablo Neruda

... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.

*Butifarra: espécie de chouriço ou lingüiça feita principalmente na Catalunha, Valência e Baleares. (N. da T.)

Quarta-feira, Junho 30, 2004

NÁUFRAGOS, TRAFICANTES E DEGREDADOS

Quando a tempestade passar,
e restabelecer a linha do horizonte perdida,
tentarei novamente não correr
para pisar lentamente no que já fui um dia.

O que resta após o naufrágio da verdade:
Os traficantes dos sonhos ou os degredados sem alma ?

Quando tudo estiver triste,
não quero nenhuma lágrima secar.
Quando o pesadelo cair sobre nós,
não quero em seu colo adormecer.
Façamos um único pedido:
"Não deixemos a verdade nos matar
E nem a mentira nos enlouquecer..."

Para onde foram nossos sonhos naufragados ?
Por que insisto em traficar seu coração ?
Sou degredado de mim mesmo:
sem pátria, sem mãe, sem alma
e sem a sua explicação...

Francis Paula



Sexta-feira, Junho 25, 2004

DEIXE SEU RECADO EM NOSSO MURAL !


TrocaPop.Com

Quinta-feira, Junho 24, 2004

O QUE É LITERATURA ?

"Arte literária é mímese (imitação); é a arte que imita pela palavra." (Aristóteles, filósofo grego, séc IV a.C)

"A literatura é a expressão da sociedade, como a palavra é a expressão do homem." (Louis de Bonald, pensador e crítico do Romantismo francês, início do séc. XIX)

" O poeta sente as palavras, ou frases como coisas e não como sinais, e a sua obra como um fim e não como um meio; como uma arma de combate." (Jean-Paul Sartre, filósofo francês, séc XX)

" É com bons sentimentos que se faz literatura ruim." (André Gide, escritor francês, séc. XX)

"A poesia existe nos fatos." (Oswald de Andrade, poeta brasileiro, séc. XX)

E para você, caro leitor, o que é Literatura ?
Seus comentários serão sempre bem-vindos !

Um abraço

Equipe Vereda Literária